Hoje é domingo à noite. A casa está silenciosa, preenchida apenas pelo som ocasional dos meus cachorros, minha fiel companhia. Estou aqui, na mesa, organizando algumas coisas para o trabalho. A presença de Deus é um conforto invisível, mas real. E ainda assim, um misto de ansiedade e reflexão toma conta de mim.
A semana que se aproxima traz expectativas, compromissos, e, como é comum ao fim de mais um ano, um certo peso. Peso das perguntas que ainda não têm resposta, do futuro incerto. Minha cachorrinha, a Valentina, uma pequena pinscher que está comigo há 11 anos, também ocupa meus pensamentos. O tempo, implacável, me faz questionar o que está por vir para ela, para mim, para nós.
No campo do trabalho, o próximo ano é uma folha em branco, mas com contornos que parecem já se desenhar. Há um receio de não estar à altura, de não conseguir corresponder às expectativas – inclusive as minhas próprias. E na vida pessoal, um sentimento de estagnação. Minha vida amorosa é uma paisagem quieta, quase vazia, e às vezes me pergunto se o vazio é algo externo ou interno. Talvez ambos.
Hoje, compartilho a música “Call and Answer”, da banda Barenaked Ladies #naminhaplaylist. Essa canção é como um diálogo sincero, cheio de vulnerabilidade. Fala sobre a complexidade das relações, sobre erros cometidos e o desejo de reconstruir algo a partir do caos. Contrastando com os meus pensamentos, a música oferece uma lição: mesmo quando as coisas parecem confusas, há sempre a possibilidade de se reconectar – seja com os outros, seja consigo mesmo.
Diante de tudo isso, percebo que esses sentimentos não são inimigos. São sinais, lembrando-me de que estou vivendo, sentindo, tentando encontrar um caminho. Talvez a resolução para essa confusão esteja em abraçar a incerteza. Em aceitar que o futuro é desconhecido, mas cheio de potencial.
Eu posso decidir ver a próxima semana, o próximo ano, como uma chance de crescimento, de novas descobertas. Posso cuidar do meu trabalho, dar mais amor aos meus cachorros e, quem sabe, abrir espaço para novas conexões na minha vida amorosa. E acima de tudo, lembrar-me de que Deus está comigo, assim como está agora, nesse momento de introspecção.
A conclusão é simples, mas poderosa: mesmo quando me sinto vazio, é possível transformar esse vazio em um espaço para algo novo. Talvez o vazio não seja um fim, mas um começo. E nesse começo, posso encontrar mais esperança, mais vida, mais de mim mesmo.